Compreender a realidade é o primeiro passo para transformá-la. Foi com esse objetivo que o Projeto Fio da Infância realizou, durante o processo de inscrição para seu seminário formativo, um levantamento junto aos profissionais que atuam diretamente na promoção, proteção e garantia dos direitos de crianças e adolescentes no município.
A pesquisa reuniu aproximadamente 120 participantes de diferentes áreas que compõem o Sistema de Garantia de Direitos, incluindo profissionais da assistência social, saúde, educação, Conselho Tutelar, sistema de justiça, segurança pública e organizações da sociedade civil.

Os resultados evidenciam um cenário de crescente complexidade social, marcado por desafios que atravessam diferentes políticas públicas. Entre os aspectos mais citados pelos participantes estão as fragilidades no contexto familiar, especialmente relacionadas à baixa participação dos responsáveis no acompanhamento das crianças e adolescentes, dificuldades de adesão aos atendimentos e situações de negligência que impactam diretamente o desenvolvimento infantojuvenil.
Outro ponto recorrente foi a necessidade de fortalecimento da articulação entre os serviços da rede de proteção. Os profissionais destacaram dificuldades na comunicação entre instituições, ausência de fluxos bem definidos e limitações no retorno dos encaminhamentos realizados, fatores que podem comprometer a efetividade do atendimento às famílias.
A pesquisa também apontou preocupações relacionadas à saúde mental de crianças e adolescentes, especialmente diante do aumento das demandas emocionais e comportamentais e da insuficiência de profissionais especializados para atendimento. Além disso, questões como pobreza, insegurança alimentar, violência e uso de substâncias psicoativas foram identificadas como fatores que ampliam as situações de vulnerabilidade social enfrentadas pelas famílias.
No campo da educação, surgiram desafios ligados à evasão escolar, ao desinteresse dos estudantes, às dificuldades de inclusão e à baixa participação familiar no processo educativo.
Apesar dos desafios identificados, o levantamento também revelou importantes potencialidades da rede municipal. Os participantes reconheceram a existência de profissionais comprometidos, a diversidade de políticas públicas atuantes e a crescente compreensão sobre a importância do trabalho intersetorial para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
O estudo demonstra que há uma base sólida para o avanço das ações de proteção social, especialmente por meio do fortalecimento da articulação entre os serviços, da qualificação contínua dos profissionais, da ampliação do acesso a atendimentos especializados e do desenvolvimento de estratégias voltadas ao fortalecimento das famílias.
Mais do que identificar dificuldades, a pesquisa realizada pelo Projeto Fio da Infância reafirma a importância da escuta dos profissionais da rede como instrumento fundamental para o planejamento de políticas públicas mais efetivas, integradas e alinhadas às necessidades reais do território.
Os resultados servirão de subsídio para reflexões, debates e encaminhamentos construídos ao longo das atividades do projeto, contribuindo para o fortalecimento das ações voltadas à promoção e proteção dos direitos de crianças e adolescentes.
Os três achados principais:
📌 Cerca de 120 profissionais participaram da pesquisa.
📌 A fragilidade dos vínculos familiares apareceu como um dos principais desafios da rede.
📌 Os participantes apontam o fortalecimento da articulação intersetorial como prioridade para avançar na proteção de crianças e adolescentes.
Acesse o relatório completo
Com o objetivo de promover a transparência e ampliar o acesso às informações produzidas no âmbito do Projeto Fio da Infância, o relatório completo do levantamento e o compilado das respostas qualitativas dos participantes estão disponíveis para consulta pública. Os documentos reúnem as percepções dos profissionais que atuam na rede de proteção e contribuem para o fortalecimento do planejamento e da articulação intersetorial em defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
🔗 Clique aqui para acessar o relatório e os anexos da pesquisa



